Algo

Algo

Como folhas, brotámos de troncos indestrutíveis aprisionados em jardins de jasmim
Como folhas, descolámos alucinantes para todo o lado, enrolámos corpos impacientes enamorados
Como folhas, levitámos o céu leve levados por pássaros, deleitámos as estrelas belas inebriados

Jurámos que iríamos ser para sempre assim, como folhas, lado a lado

Como folhas, sufocámos nossa existência espancados contra a decadência duma valeta
Como folhas, indiferenciadas a olho nu, espantadas na imensidão do monte
Como folhas, dezoito verdes meses depois desbotámos castanhos pelo libertar do berro solitário
Como folhas, fomos varridos de madrugada pelo pobre velho da SUMA para um camião do aterro sanitário

Fomos algo.

Brotei de novo e vou voar. Enquanto houver árvore, serei folha. Brotarei e descolarei mais de mil vezes até desbotar e aterrar enterrado.

Serei algo.

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